Tenciona votar?

O divã de Maquiavel

Terapia política. Introspecção psico-social. Análise simbólica.

03 Julho 2009

[906] As palavras dos outros (48): "solidários até à medula"

"O amor ao próximo não tem passaporte."
(José Cura, Pavilhão Atlântico, 2-7-2009)

28 Junho 2009

[905] Citações do mundo: nós somos a Igreja

"A Igreja é falível porque o homem é falível."
(Cardeal Strauss, "Anjos e demónios", Ron Howard)

23 Junho 2009

[904] As palavras dos outros (47): quando a realidade desmente as expectativas

"Curiosamente, a imprensa europeia - e a portuguesa ainda menos - não deu suficiente relevo ao plano de reforma financeira apresentado pelo Presidente americano. A Europa parece ainda estar noutra. Mais ou menos parada à espera que passe a crise para que tudo fique na mesma. Não é possível."
(Mário Soares, "A grande reforma financeira", Diário de Notícias, 23-6-2009)
*

21 Junho 2009

[903] Sai um parlamento verde e um governo amarelo!

1. Os eleitores NÃO elegem primeiros-ministros. A sua nomeação cabe ao PR e nem sequer lhe é constitucionalmente exigido que nomeie o presidente/secretário-geral do partido mais votado. Pode não ser do partido mais votado e pode não ser o seu líder. Insistir neste confronto (JS/MFL) é manipulador e constitui fraude constitucional.
2. Os eleitores determinam a composição parlamentar e, com as suas escolhas, condicionam os equilíbrios político-partidários. Se derem a vitória ao PS ou ao PSD só estão a sinalizar ao PR (que leva em conta os resultados eleitorais) que querem esse PARTIDO a chefiar o executivo, não o político A ou o líder B. E se, ao contrário da actual composição de maioria monopartidária, quiserem uma composição mais variada, isso também tem um significado político!
3. Um governo é um órgão colegial e, como tal, NÃO se esgota no primeiro-ministro. Portanto, o escrutínio final faz-se a TODO o governo (o que, no caso presente, inclui Mário Lino, Lurdes Rodrigues, Pinto Ribeiro, Jaime Silva, Manuel Pinho, Alberto Costa, Santos Silva e os outros). A avaliação até, por hipótese, pode ser positiva para o primeiro-ministro, mas a avaliação global de todas as pastas e todas as políticas ser negativa.
4. Se o que acabei de escrever é verdadeiro para o governo que vai ser escrutinado, também o é para o governo que lhe vai suceder, seja ele chefiado por quem for. É uma EQUIPA e deixar de votar num partido porque o seu líder não é simpático ou jovem ou bem-falante é desprezar programas eleitorais, é ignorar o escrutínio ao actual governo, é tornar as eleições legislativas numa escolha de primeiros-ministros, o que é, no limite, inconstitucional (aliás, se não erro, só existe essa possibilidade em Israel, onde se vota separadamente para o líder do governo e para os deputados do parlamento).
5. Outras imprecisões, de cariz menos político-constitucional e mais político-partidário:
a) As “arquitecturas financeiras que inventou para esconder o desastre financeiro” que [MFL] herdou e condicionaram todo o período de 2002/2004. Ou estamos, afinal, com memória selectiva? Já nos esquecemos em que circunstâncias ocorreram as eleições de Março de 2002? Convocadas após a demissão (quase inédita, tirando o caso de Pinto Balsemão nos idos 80) de um primeiro-ministro e foram consequência do início da crise interna que hoje vivemos (sim, o país está em crise há pelo menos oito anos).
b) O “sistema de avaliação muito mais injusto e ineficaz do que este que agora existe”? Mas ele é precisamente o mesmo (SIADAP), criado em 2004 e apenas “retocado” em 2007! Não devemos falar do que não sabemos… Ele não é nem mais justo nem mais eficaz agora do que a sua versão original, tendo apenas aperfeiçoado a fase da auto-avaliação, mudado o nome das menções qualitativas e dos limites das quantitativas e “repristinado” a Comissão Paritária, tudo, afinal, coméstica. As quotas permanecem.
c) Sobre “a tomada de assalto a todos os lugares de topo da Administração Pública” não me pronuncio porque não noto diferenças significativas entre o passado e o presente (sei do que falo pelo menos há 15 anos) e não tenho filiação partidária, por isso não acho que se os dirigentes de topo forem rosas são bons e se forem laranjas são maus (ou vice-versa)… Acho é que só poderá fazer essa crítica quem tiver mostrado pública e veemente indignação também com o “saneamento” (para usar a sua expressão) de dirigentes de topo qualificados e competentes pelos actuais ministros.
Por hoje chega. Vamos ajudar a qualificar melhor os eleitores com comentários e opiniões mais rigorosos e pedagógicos, mesmo que traduzam legitimamente as nossas convicções ideológicas ou simpatia partidárias?
(Núncio, comentário a "Memória", Luís Novaes Tito, Eleições 2009, 21-6-2009)

20 Junho 2009

[902] Tu acumulas, eu fecho os olhos

É completamente diferente estar no PE a cumprir um mandato e ser chamado a participar do governo do país de concorrer em duas listas a dois órgãos diversos e para mandatos quase simultâneos.
O segundo é um acto ponderado, voluntário, de acumulação de cargos. O primeiro é imprevisível (depende de resultados de eleições posteriores, para as quais não se é candidato), não depende da vontade própria (tem de ser convidado pelo primeiro-ministro, embora a resposta ao convite seja um acto de vontade, naturalmente) e, claramente, é um apelo que se compreende: ser ministro do Governo de Portugal, cargo que não se exerce em acumulação com qualquer outro.
Fica muito mal insistir nesta confusão!
(Núncio, comentário deixado em "Duas caras", Paulo Gorjão, Vox Pop, 18-6-2009)

17 Junho 2009

[901] MotivAcção

[Aceitam-se sugestões, fora do concurso. A caixa está aberta]

12 Junho 2009

[900] Nove de alienação, zero de compaixão, zero de solidariedade

No seu «site» oficial [Programa Mundial de Alimentação (World Food Programme), da Organização das Nações Unidas], um responsável do programa fez as contas e percebeu que os 94 milhões de euros oferecidos ao Manchester United serviriam para financiar cerca de 520 milhões de refeições escolares!
«Podíamos usar essa verba para alimentar 8,6 milhões de bocas famintas na Etiópia, até final do ano. Precisávamos mesmo desse dinheiro neste momento, no Paquistão, onde teríamos condições para alimentar dois milhões de desalojados», escreve Greg Barrow.
O responsável do Programa Mundial de Alimentação alonga o raciocínio: «94 milhões de euros parecem trocos. Mas se virmos as nossas operações no Burkina Faso, Cambodja, Guatemala, Libéria e Suazilândia, servia para financiar todas elas durante um ano inteiro. Ainda sobrava dinheiro».

[899] A Justiça no mundo: à moda baiana

(Aviso da juiz da 22.ª vara cível, Bahia - Brasil:
cortesia do leitor pedro, por e-mail)

[898] Cocktails e pastas de couro

De facto, as “massas” de militantes e simpatizantes não chegam a beber champagne, mas vão a cocktails e recebem pastas em couro.
De qualquer forma, não nos equivoquemos. Hoje em dia, a forma despudorada de gestão da “coisa pública” já permite a concessão de benesses, umas mais simbólicas do que outras, por muita gente (veja-se o caso mais recente da nomeação, por esse país afora, dos directores que, em muitas escolas e agrupamentos escolares, mais não são do que os representantes do aparelho local).
Por outro lado, um dos “ingredientes” da mistura de Cipriano é que eu acho que tem faltado, mas sem consequências degustativas para o cozinhado. Identificação com os valores. Mas com quais valores é que se poderá identificar o militante socialista médio, se a maior parte deles está completamente ausente das políticas de JS?
Quanto aos limites de que fala, e bem, LNT, isso é que me intriga. É que esses limites (tradição democrática, liberdade de opinião, respeito pelas classes profissionais, discussão ideológica ou programática, gestão pública, salvaguarda de direitos e garantias, etc.) foram completa e periogosamente ultrapassados nalgumas pastas (Comunicação Social, Educação, Saúde, Obras Públicas, Agricultura) sem grandes demonstrações de desagrado que não se resumam a Ana Benavente, João Cravinho ou Manuel Alegre.
Nem o PSD, que tem igual “fome de poder”, foi alguma vez tão unânime (mesmo Cavaco Silva tinha vozes bem desafinadas como Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira e Emídio Guerreiro, entre outros)!
(Núncio, comentário a "Declaração de interesses", idem)

[897] O poder tem cheiro?

Interessante o pequeno, mas pertinente artigo, cuja ideia-chave, a meu ver, está no trecho “[o PS] não deve ser confundido nem com a sua direcção nem com o governo que de momento o representa. Mas cabe aos socialistas a última palavra.
De facto, (...) é para mim um enigma a sustentação de JS no seio do partido. Em boa verdade (e isso não é bom nem mau, é como é), ele não representa a matriz histórica e ideológica do PS, sendo o representante daquela ala mais centrista, de pendor (neo)liberal.
Então, e é a pergunta cuja resposta valerá “one million dollars”, porque é que esses 60/70 por cento de militantes e simpatizantes (incluindo a blogosfera) aplaudem, por vezes deleitados, quando não fanaticamente, alguém que, nem política nem ideologicamente, os representa? Será apenas o cheiro embriagante do exercício do poder?
*
ADENDA: Note-se que fenómeno idêntico (de sobrerrepresentação de uma corrente minoritária) ocorreu com Luís Filipe Menezes, que não representava mais do que uma minoria ideológica e até geográfica do PSD e, por isso, a sua força foi meramente conjuntural (admito até que, estivesse o PSD no poder, o “Menezismo” nem tivesse chegado a ser sufragado).
(Núncio, comentário a "Declaração de interesses", Cipriano Justo, Eleições 2009 - Público, 11-6-2009)

[896] A Grande Coligação

Dizer que interessa aos lisboetas ou aos portugueses (um)a esquerda no poder é uma mera petição de princípio. Idêntica à de um partidário do CDS dizer que é do interesse dos Açores ou do país a democracia-cristã no poder.
No caso concreto de Lisboa, até me parece uma proposta um tanto ou quanto desesperada. Quanto mais insistirem na Grande Coligação PS/PCP/Verdes/Helena Roseta/Sá Fernandes/BE mais crédito estão a dar a Santana Lopes.
É mesmo isso que querem?
(Núncio, comentário a "Ainda o é só um suponhamos", Cipriano Justo, Eleições 2009 - Público, 10-6-2009)

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